Indústria de Ração: Aplicação de Inteligência Artificial no Controle Logístico
Way Group realizou a aplicação estratégica de Inteligência Artificial (IA) em operações logísticas, que se tem mostrado um diferencial competitivo cada vez mais relevante, especialmente em indústria de ração regionais que crescem em volume de vendas, mas ainda operam com baixa maturidade de gestão. Este case apresenta a implementação de um sistema inteligente de controle logístico em uma indústria de ração para animais, que enfrenta desafios estruturais de custo, margem e previsibilidade operacional.

A indústria de ração possuía bom volume de vendas, forte presença regional e capilaridade comercial, porém operava sem um modelo estruturado de controle de custos logísticos. As decisões eram baseadas majoritariamente em histórico informal, percepção empírica e experiência operacional, sem métricas objetivas que sustentassem análises financeiras e estratégicas. Não havia visibilidade real sobre o custo logístico por saco de ração entregue, tampouco controle claro sobre custos por rota, por veículo ou por colaborador. Os caminhões frequentemente operam abaixo da capacidade ideal, o frete embutido no preço de venda não seguia critérios técnicos e a empresa não conseguia mensurar com precisão a rentabilidade por cliente, região ou rota.
Na prática, vendia-se bem, mas não se sabia exatamente quanto custava vender um cenário comum em indústrias regionais e altamente perigoso do ponto de vista de margem, sustentabilidade financeira e crescimento estruturado.
Do ponto de vista conceitual, margem de contribuição (diferença entre a receita de venda e os custos variáveis diretamente associados ao produto) vinha sendo corroída silenciosamente pela ineficiência logística. A ausência de indicadores de desempenho (KPIs – Key Performance Indicators, ou indicadores-chave de performance) impedia qualquer tipo de gestão técnica da indústria de ração. A logística era tratada como função operacional, e não como variável estratégica de competitividade.

Indústria de Ração e a Transformação com a Way Group Consultoria
Diante desse contexto, a estratégia da consultoria foi utilizar a Inteligência Artificial não como um fim em si mesma, mas como um acelerador de solução. A partir do Google AI Studio (ambiente de desenvolvimento e integração de modelos de IA do Google), desenvolveu-se um aplicativo de controle logístico totalmente personalizado à realidade operacional da indústria de ração. O trabalho iniciou com um mapeamento profundo dos fluxos físicos e financeiros da operação, identificação dos gargalos (pontos de estrangulamento do processo que limitam desempenho), estruturação das regras de negócio (lógicas que definem como o sistema deve operar) e tradução das dores operacionais em lógica de sistema.
A IA foi utilizada para acelerar a modelagem de dados, os cálculos, as simulações e a construção da solução, reduzindo drasticamente o tempo de desenvolvimento e aumentando a precisão analítica. Modelagem de dados, neste contexto, significa estruturar informações brutas (rotas, distâncias, volumes, custos, consumo de combustível, manutenção, etc.) em bases organizadas e interligadas, capazes de gerar análises confiáveis. Simulações logísticas consistem em testar cenários hipotéticos antes da execução real, como mudanças de rota, consolidação de entregas ou redistribuição de frota.
O resultado foi a criação de um sistema completo de gestão logística, com interface simples, porém estrutura robusta de dados e cálculos. O aplicativo passou a centralizar informações operacionais, financeiras e estratégicas em um único ambiente, permitindo visibilidade total da indústria de ração para animais. O dashboard gerencial (painel visual de indicadores) consolidou métricas como custo logístico total, custo por saco entregue, custo por rota, taxa de ocupação dos veículos (percentual real de uso da capacidade de carga), comparativos de eficiência entre rotas e KPIs logísticos, transformando dados brutos em informação estratégica acessível.
A base estrutural do sistema foi construída por meio de cadastros padronizados de colaboradores, veículos, clientes, regiões e rotas, eliminando controles paralelos e inconsistências de informação. O módulo de controle de veículos e despesas passou a registrar de forma categorizada custos como combustível, manutenção, pneus, seguro, depreciação e despesas variáveis. Depreciação, neste contexto, representa a perda de valor do ativo (veículo) ao longo do tempo, distribuída como custo operacional. Isso permitiu a apuração precisa do custo real por quilômetro rodado e por entrega, conceito essencial para gestão logística profissional.
A gestão de rotas integrou dados de distância, volume transportado, ocupação de carga, custo total da rota e custo unitário por saco, revelando de forma objetiva quais rotas eram lucrativas, marginais ou deficitárias. Uma rota lucrativa gera margem positiva após todos os custos; uma rota marginal opera próxima ao ponto de equilíbrio; uma rota deficitária destrói valor, mesmo que gere faturamento.
Um dos elementos mais estratégicos do sistema foi a calculadora de frete integrada ao processo comercial da indústria de ração. Antes do fechamento de uma venda, o time passou a conseguir simular rotas, estimar custos logísticos, calcular custo por saco, definir preço mínimo viável e negociar com base em dados concretos. Preço mínimo viável significa o menor preço possível que cobre todos os custos e ainda preserve margem positiva. Isso integrou logística e vendas em um mesmo racional decisório, algo raro em operações desse porte, especialmente em indústrias regionais.
Com a implementação do sistema, os resultados foram diretos e mensuráveis. A empresa passou a ter visibilidade total de custos, sabendo exatamente quanto custa entregar cada produto, operar cada rota e utilizar cada veículo. Isso eliminou decisões baseadas em percepção subjetiva. A eficiência logística aumentou significativamente por meio da reorganização de rotas, consolidação de entregas (junção de pedidos para reduzir deslocamentos), redução de viagens com carga ociosa e melhor aproveitamento da frota. O mesmo recurso passou a gerar mais entregas, caracterizando ganho real de produtividade operacional.
No campo comercial, a precificação tornou-se tecnicamente estruturada. Regiões deficitárias foram reajustadas, condições comerciais foram renegociadas e vendas que destruíam valor passaram a ser evitadas. A margem deixou de ser um resultado incerto e passou a ser uma variável gerenciável. A logística deixou de ser apenas operacional e passou a ocupar um papel estratégico dentro da empresa. O empresário passou a operar com mais clareza, controle, previsibilidade e capacidade real de planejamento de crescimento.
Este projeto com a indústria de ração evidencia como a Inteligência Artificial amplia exponencialmente a capacidade da consultoria empresarial. Com o uso do Google AI Studio, foi possível acelerar o desenvolvimento da solução, estruturar regras de negócio complexas, simular cenários logísticos, transformar necessidades operacionais em sistemas funcionais e entregar valor em menos tempo e com menor custo. A IA não substitui o consultor ela potencializa o consultor, ampliando sua capacidade analítica, técnica e estratégica.
A conclusão deste case é clara: a união entre conhecimento de negócios, visão estratégica e tecnologia aplicada resolve problemas reais de forma prática e mensurável. A indústria de ração saiu de um cenário de incerteza logística para um ambiente de controle absoluto de custos, eficiência operacional e decisões baseadas em dados. Mais do que um sistema, foi entregue clareza gerencial. Esse é o verdadeiro papel da consultoria moderna: traduzir dor em solução, dados em decisão e tecnologia em resultado.
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